Melhores de 2018

Faz alguns anos que eu não fazia uma lista formal de Melhores de Ano, mas 2018 foi tão confuso que foi bom parar para organizar as ideias e se preparar para 2019. Tão aí os meus discos, músicas e shows favoritos desse ano 🙂

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Best of 2010: primeira prévia

Álbuns – Internacional
01. Caribou – “Swim”
02. LCD Soundsystem – “This Is Happening”
03. Beach House – “Teen Dream”
04. Vampire Weekend – “Contra”
05. Joanna Newsom – “Have One On Me”
06. Broken Social Scene – “Forgiveness Rock Record”
07. the morning benders – “Big Echo”
08. Los Campesinos – “Romance Is Boring”
09. Surfer Blood – “Astro Coast”
10. Hot Chip – “One Life Stand”

Faixas – Internacional
01. Joanna Newsom – “Have One On Me”
02. Caribou – “Odessa”
03. Yeasayer – “O.N.E.”
04. the morning benders – “Excuses”
05. LCD Soundsystem – “Dance Yrself Clean”/“You Wanted A Hit”/“Pow Pow”
06. Spoon – “Out Go The Lights”
07. Here We Go Magic – “Collector”
08. Jónsi – “Go Do”
09. Broken Social Scene – “Forced To Love”
10. Vampire Weekend – “White Sky”
11. Joy Orbinson – “So Derobe”
12. Broken Bells – “The High Road”
13. Broken Social Scene – “World Sick”
14. Hot Chip – “Alley Cats”
15. Surfer Blood – “Swim (To Reach The End)”
16. Beach House – “Lover Of Mine”
17. Toro Y Moi – “Tallamak”
18. Tanlines – “Real Life”
19. She & Him – “In The Sun”
20. Los Campesinos – “There Are Listed Buildings”

Álbuns – Nacional
01. Superguidis – “Superguidis”
02. Apanhador Só – “Apanhador Só”
03. Karina Buhr – “Eu Menti Pra Você”
04. Pata De Elefante – “Na Cidade”
05. Thiago Pethit – “Berlim, Texas”

Faixas – Nacional
01. Superguidis – “Não Fosse O Bom Humor”
02. Jr. Black – “Dança Bonito”
03. Apanhador Só – “Nescafé”
04. Superguidis – “Aos Meus Amigos”
05. Emicida – “Avua Besouro”
06. Nevilton – “Pressuposto”
07. Thiago Pethit – “Mapa-múndi”
08. Karina Buhr – “Vira Pó”
09. Apanhador Só – “Um Rei E O Zé”
10. Thiago Pethit – “Forasteiro”

Running Mixtape 2007

16 faixas, 73’37” de música.

Too Too Too Fast! It’s The Livio’s Runnin’ Mixtape!

1) TV On The Radio – Halfway home
2) The Beatles – Good morning, good morning
3) Oasis – Morning glory
4) The Last Shadow Puppets – The age of the understament
5) R.E.M. – Living well is the best revenge
6) The Futureheads – The begging of the twist
7) Maxïmo Park – The coast is always changing
8) The Cardigans – I need some fine wine and you need to be nicer
9) Ra Ra Riot – Too too too fast
10) The Hold Steady – Constructive summer
11) The Strokes – Reptilia
12) Franz Ferdinand – You could have it so much better
13) Radiohead – Weird fishes/Arpeggi
14) New Order – Ceremony
15) Cut Copy – Unforgettable season
16) LCD Soundsystem – All my friends

Os 50 Melhores Discos de 2007

01) “Sound Of Silver”, LCD Soundsystem
02) “In Rainbows”, Radiohead
03) “Boxer”, The National
04) “Vanguart”, Vanguart
05) “Person Pitch”, Panda Bear
06) “The Magic Position”, Patrick Wolf
07) “Andorra”, Caribou
08) “A Amarga Sinfonia Do Superstar”, Superguidis
09) “Neon Bible”, The Arcade Fire
10) “Our Earthly Pleasures”, Maxïmo Park
11) “Sky Blue Sky”, Wilco
12) “Ga Ga Ga Ga Ga”, Spoon
13) “Favorite Worst Nightmare”, Arctic Monkeys
14) “The Cool”, Lupe Fiasco
15) “Let’s Stay Friends”, Les Savy Fav
16) “The Stage Names”, Okkervil River
17) “Voxtrot”, Voxtrot
18) “Strawberry Jam”, Animal Collective
19) “The Reminder”, Feist
20) “Night Falls Over Kortedala”, Jens Lekman
21) “Rise Above”, Dirty Projectors
22) “Beyond”, Dinosaur Jr.
23) “Simulacro”, China
24) “Marry Me”, St. Vincent
25) “Carnaval Só Ano Que Vem”, Orquestra Imperial
26) “Magic”, Bruce Springsteen
27) “Hissing Fauna, Are You The Destroyer?”, Of Montreal
28) “From Here We Go Sublime”, The Field
29) “Liars”, Liars
30) “Myth Takes”, !!!
31) “Attack Decay Sustain Release”, Simian Mobile Disco
32) “Myths Of Near Future”, Klaxons
33) “Tones Of Town”, Field Music
34) “A Guide To Love, Loss And Desperation”, The Wombats
35) “Overpowered”, Roísín Murphy
36) “Armchair Apocrypha”, Andrew Bird
37) “Cease To Begin”, Band Of Horses
38) “Challengers”, The New Pornographers
39) “Easy Tiger”, Ryan Adams
40) “Disco Paralelo”, Ludov
41) “Mirroed”, Battles
42) “Era Vulgaris”, Queens Of The Stone Age
43) “Kala”, M.I.A.
44) “Lust Lust Lust”, The Raveonettes
45) “Because Of The Times”, Kings Of Leon
46) “Chega De Falsas Promessas”, Canastra
47) “Untrue”, Burial
48) “Icky Thump”, The White Stripes
49) “23”, Blonde Redhead
50) “Cassadaga”, Bright Eyes

Melhores Músicas de 2007: 10 – 01

10) “Golden skans”
Klaxons

Enquanto o mundo se concentrava na discussão boba da new rave (existe? não existe? é legal?), os Klaxons preferiram surfar uma outra onda ao invés daquela que eles próprios (supostamente) criaram. Esqueça o disco-punk com influências madchester, “Golden skans” é puro indie-rock psicodélico perfeito. Dá pra dançar, dá pra ouvir na rádio, dá pra bater cabeça no show e também dá pra chacoalhar alguns glowsticks, se for o caso.
09) “D.AN.C.E.”
Justice
Mais que uma música, essa aqui foi quase um fenômeno cultural. O refrão, a palavra de ordem (“do the dance!”, o clipe, os remixes… Tudo em “D.A.N.C.E.” tem um brilho pop capaz de agradar de metaleiros a fashionistas, e colocar todos esses pra dançar na mesma vibe Daft Punk encontrando Jackson 5.
08) “All I need”
Radiohead
Foram 15 anos para que o Radiohead lançasse sua canção definitiva sobre amor, desejo e obsessão. “All I need” é “Creep”, “High and dry”, “Climbing up the walls” e “True love waits” em uma única música. O instrumental é bastante simples, uma batida fuleira de trip hop que vai duelando com um sintetizador pesado e distorcido e com notas esparsas de um piano, enquanto a voz canta, disléxica, a letra cheia de imagens estranhas e poderosas. Uma mariposa rodeando a luz no teto, um animal preso num carro, os dias que você escolheu esquecer. No final do segundo refrão, a melodia do piano começa ficar mais forte, até que explode junto com a discreta levada de bateria. É o momento em que “In Rainbows” e o Radiohead se revelam em toda a sua grandeza. É o terror das últimas esperanças presente no refrão de “There’s a light that never goes out” dos Smiths misturado com o êxtase espiritual e idealista de “All is full of love” da Björk. É inefável. Nessa confusão de sentimentos, Yorke mata a charada: “it’s all right, it’s all wrong”.

07) “Bros”

Panda Bear
Provavelmente, os melhores 12 minutos (!) de 2007. Ou seria uma vida inteira encapsulada numa música? Verdade é que “Bros” me fez sentir muito mais do que eu poderia compreender. É como se, mais do samples, o Panda Bear tivesse colado pedaços de memória aqui, onde cada barulho remete a um momento, uma história, uma pessoa. É uma sensação estranha (no começo), mas poucas vezes a estranheza soou tão doce.
06) “Let’s dance to Joy Division” MP3
The Wombats
Não dá para entender realmente o que os Wombats quiseram com essa música. É só mais um pop de três minutos à Libertines que você já está cansado de ouvir (e dançar). É ordinária, estúpida e incrivelmente grudenta. Mas o que falar do refrão? Thom Yorke fingindo burrice e bom humor? Damon Albarn voltando a ser liricamente relevante? Realmente, ainda não sei como um refrão tão idiota pode sintetisar com tanta perfeição a dualidade ambulante que é viver nos anos 2000. So let’s dance to Joy Division

05) “Impossible Germany” MP3

Wilco
Jeff Tweedy é um homem de grandes palavras e grandes melodias, não tenha dúvida. E “Impossible Germany” é perfeita, como várias outras do Wilco, nos dois quesitos. Confortavelmente estacionado no anos 70, Tweedy ecoa a sutileza rude de um Neil Young com o polimento pop do country alternativo que ele mesmo inventou no Uncle Tupelo. A letra pode ser construída por uma metáfora estranha (o amor é uma Alemanha impossível?), mas nem por isso deixa de emocionar. Aí chega o solo (coisa de velho, podicrê) e você fica incapacidado de balbuciar qualquer coisa. Então, cada nota da guitarra de Jeff é uma batida do seu coração e todas elas – vou cair num clichê trocadilhesco perigoso, mas foda-se – dizem eu te amo.
04) “Stop me” MP3
Mark Ronson feat. Daniel Merryweather
Por essa nem o Morrissey esperava. Quem diria que 20 anos depois, o rockão que foi trilha do fim dos Smiths se transformaria numa das melhores canções soul dos últimos tempos? Passando da crítica à mesmice do pop de 87 ao mal-amor desse 2007, “Stop me” traz a síntese do que Mark Ronson propôs nesses 2 anos de hype: produção caprichada que é tanto sessentista quanto doismilanista, vocal perfeito de algum dos seus protegés e conexões pop – o indie rock com a Motown, o branquelo nerd mal amado com a divas negras duronas e doces do soul – que são a cara desses tempos.
03) “Para abrir os olhos” MP3
Vanguart
Mesmo que seja baseada num lugar comum bem, uhm, comum (“o que importa é o que te faz abrir os olhos de manhã”), “Para abrir os olhos” ganha na sinceridade. Ainda que envoltos num hype estranho, o Vanguart se entrega como poucos ao que faz e com isso te leva junto na viagem. Entre o niilismo e a esperança, a canção passeia num campo que o pop já visitou várias vezes, – a busca por respostas como sentimento-motriz da vida – só que nesse caso isso é exatamente o que eles querem dizer, sem meias palavras, sem outras interpretações. E isso, não importa se é em 67 ou 2007, sempre funciona.
02) “Fireworks” MP3
Animal Collective
Seja pelo vocal de Avey Tare, seja pelo arranjo, seja pela melodia em si, é impossível não perceber que em “Fireworks” o Animal Collective quis ser tão entendido quanto necessário para entrar no inconsciente coletivo. A voz soa clara, expressiva, enquanto o arranjo é ordenado, quase racional. A melodia é brilhante e grudenta como em “Grass” e “Who can win a rabbit?”, mas agora sua jornada aos corações fica facilitada pela ausência do caos distrativos dos outros trabalhos da banda. Ainda um dos poucos quebra-cabeças irresolutos dos anos 2000, Animal Collective fez de “Fireworks” não só momento mais acessível, mas também sua melhor canção, uma daquelas para figurar entres as grandes do nosso tempo.
01) “All my friends” MP3
LCD Soundsystem
Poderia ser diferente? No momento em surgiu, lá no finalzinho de 2006/comecinho de 2007, “All my friends” já gritava alto que era uma canção destinada a grandeza: o acorde do piano repetido over-and-over crescendo little-by-little, batalhando com o baixo New Order das antigas (mais “Ceremony” do que “Perfect kiss”), a bateria kraut, os sintetisadores bagaceiros oitentistas e a guitarra indie-rock-raça-pura. Tudo isso costurado por um vocal firme de James Murphy. Ali, quando ainda dávamos os primeiros passos para dentro do ano passado, “All my friends” já era tudo o que precisávamos. Só que aquele refrão, aquela letra, aquele ritmo quase dançande, aquele sentimento de melancolia se transformando em alegria e motivação sinceras decidiram não sair das nossas cabeças, pés, e corações. Você se entrega: “Where are your friends tonight? Where are your friends tonight?”. Estava aí, em 5 palavras das mais simples, o zeitgeist que o Billy Corgan falhou em descobrir em um disco inteiro. E eu te pergunto, poderia ser diferente?

Melhores Músicas de 2007: 40 – 31

40) “Foundations”
Kate Nash
Quem pode culpá-las? Elas cresceram ouvindo Spice Girls e assistindo Sex & The City. Aí aprenderam a tocar violão. E sobrou para nós, homens, aguentar dezenas de canções de dezenas de garotas diferentes sobre como nós somos uns babacas. Como pop, “Foundations” é adorável, mas como ato de repúdio dá saudade do tempo em que só existia a PJ Harvey.

39) “Sipping on sweet nectar”
Jens Lekman

Na sua jornada para se tornar o Sinitra indie, Jens Lekman faz uma parada acertada no tempo. Sai a mistura entre o indie pop noventista (Belle And Sebastian, Magnectic Fields) e o cancioneiro clássico dos 50, para entrar de pé no momento fugidio entre os singles da Motown dos 60’s e a disco-music dos 70’s. (Indie) Pop clássico para fãs de Camera Obscura e Bee Gees.

38) “I taught myself how to grow old”

Ryan Adams
Canção-chave de “Easy Tiger”, “I taught myself how to grow old” flagra o melhor compositor de sua geração no momento exato em que esse reaprendeu a sobreviver, depois de experimentar o colapso. No escuro, a gaita chorosa vai dando espaço a um violão tímido, para então servir de cama para o vocal emocionado de Adams, nos conduzindo à claridade branda da sua maturidade. Ryan está de volta, brilhante como sempre.
37) “Apenas leia”
Superguidis

Amarando as pontas soltas entre o indie velho (aquela guitarra do Dinosaur Jr. ou do Guided By Voices) e o indie novo (na levada do Rakes ou do Wombats), o Superguidis fez em “Apenas leia” um tratado de poucas palavras sobre se cansar de bater nas mesmas portas fechadas e falar aquelas coisas legais para quem não quer te ouvir. No mais, não perca a vida toda usando wellaton.

36) “Blood red blood”

Voxtrot
“Oh I’m just trying to do my best / I’m not afraid of life, I’m afraid of death / build my love in the things I say / you’ve gotta lift your face to the breaking day”. São poucas as bandas que conseguiriam transformar em emoção sincera a pieguice do refrão acima. E uma delas é o Voxtrot. Não há cinismo nem ironia na voz de Ramesh Srivastava e isso, apoiado nas suas belas melodias, é talvez o que faça o Voxtrot uma das melhores bandas atuais.

35) “Someone great”

LCD Soundsystem
Você olha pro vazio. Vai buscar água e a geladeira parece ser a única coisa que fazer sentido. A melhor música possível é a da água fria do chuveiro caindo sobre sua cabeça. Aquele velho seriado idiota na TV serve para te fazer esquecer daquelas frase de climáx de comédia romântica que você gostaria ter soltado na noite passada. Seu mundo não acabou, mas, por hoje, qualquer sentido que ela podia ter, se foi. Juntando as pontas soltas entre o synth pop oitentista e a eletrônica minimalista, James Murphy encapsulou toda a desolação da fossa num única música. E ainda tem gente que diz que não há alma na música eletrônica.

34) “Our life is not a movie or maybe” MP3

Okkervil River
Esse single arrebatador que antecedeu o quarto disco dos americanos do Okkervil River é um grande paradoxo. Num efeito brilhante, a letra diz que nossas vidas são filmes ruins, sem climáx e beijo romântico no final, enquanto o instrumental ecoa Bruce Springsteen e a voz emocionada de Will Sheff aparece épica como num grande clássico hollywoodiano. Simples e catártica.

33) “Us placers” MP3

CRS
Essa é daquelas “não tinha como dar errado”. O CRS – Child Rebellion Soldiers ou Chicago Runs Sheet – é na verdade a junção dos três melhores rappers desses tempos, Kanye west + Lupe Fiasco + Pharell. A mania de colaboração é coisa velha no pop americano, mas ás vezes produz maravilhas como essa. Não bastasse o flow perfeito dos três, “Us placers” é basicamente uma reconstrução de “The eraser”, faixa-título e obra-prima do álbum solo de Thom Yorke.

32) “The past is a grotesque animal” MP3
Of Montreal
O Bowie paranóico e invetivo de Berlin tendo como banda de apoio os Flaming Lips se os Flaming Lips tocassem synth pop oitentista fuleiro. Essa base repetitiva e maravilhosa fazendo cama para uma letra que parece de um Morrissey com problemas hiper-grafia ou um Pete Wentz, se esse tivesse lido algum livro além de Harry Potter. O Of Montreal é freak desse jeito, mas como nenhuma outra banda atual, eles conseguem transformar toda essa estranheza em algo brilhante e emocionalmente devastador.

31) “Umbrella” MP3
Rihanna feat. Jay-Z

Não se engane, por trás do sorriso maroto (ha!) e das curvas cuidadosamente esculpidas, existe muita esperteza – ou pelo menos um bom assessor. Depois de samplear Soft Cell (óbvio, mas eficiente) e meter medo na Beyoncé com a maravilhosa “S.O.S.” (2006), Rihanna chamou Jay-Z “na chincha” para tomar de assalto as paradas do mundo inteiro. E fez isso da maneira mais estranha possível. “Umbrella” passa longe de uma hit song comum, é fria, dark, e com um batimento seco e lento. No fim das contas, soa como uma canção do Public Enemy produzida pelo Martin Henett, com uma letra de electro paranóico (que a Kylie Minogue daria os dentes para ter gravado) que caí perfeita na cama de sintetisadores ecoando as fases mais ecuras do Depeche Mode. Como eu disse, não se engane: “Umbrella” é pop perfeito, mas não da maneira que estamos acostumados.

Melhores de 2007: 15 Shows

15) Móveis Coloniais de Acaju @ Festival Indie Rock – Circo Voador (26/07)

Faço um mea culpa aqui sobre o Móveis: ignorei a banda por dois anos (até esse show), fui burro e preconceituoso (feijoada búlgara? oi?). Mas esse show me pegou de jeito e fez o segundo disco da banda (que, dizem, sai pela Som Livre) ser ansiosamente aguardado aqui em casa. A apresentação foi uma loucura como, dizem, ser todas as da banda. Gente corendo, se esbarrando, pulando e fazendo roda no final. E a música? Divertida, original e – acreditem – emocionalmente poderosa.

14) The Rakes @ Festival Indie Rock – Circo Voador (26/07)

Com o “Ten New Messages” já lançado e com a maioria das expectativas desfeitas, o Rakes não parecia ter muito para oferecer além daquelas velhas lições pós-Is This It. Mas, lembre-se, eram boas lições. Roquinhos de 3 minutos encharcados de um novo-velho niilismo metropolitano, se bem executados, ainda garantem um ótimo show. Se rola um clichê, tipo invasão de palco então… Work work work pub club sleep é, digamos, o novo it’s only rock n’ roll but I like it.

13) Tokyo Police Club @ Planeta Terra (10/11)

Ok, o Tokyo Police Club ainda só tem, vejamos, 25 minutos de músicas gravadas. 25 minutos dos mais promissores. Imagine os Strokes (ou o próprio Rakes) dando um encontrão musical no Ride. Cada músico da banda parece tocar numa vibe diferente. Por exemplo, o tecladista maluco parecia dopado de ácido num show do Chemical Brothers, já o guitarra solo devia estar se imaginando um novo Kevin Shield, enquanto o vocalista era todo desconcerto contente de ver todo mundo com as letras (pelo memos dos semi-hits “Nature of experiment” e “Cheer it on”) na ponta da língua. Isso tudo, por enquanto, funcionou tão bem nos nossos MP3s como ao vivo. Nos resta aguardar os próximos capítulos.

12) Cansei De Ser Sexy @ Planeta Terra (10/11)

Tinha tudo para dar muito errado. A primeira apresentação do CSS 18 meses depois do estouro tinha como pano de fundo a troca de farpas entre a banda, a imprensa brasileira e público em si. O show começou com um som horrível e a banda num quase pé-de-guerra com os técnicos. Era como se tudo que tinha dado certo no resto do Planeta Terra, tivesse falhado justo no show do CSS. Parecia que a qualquer momento o bateirista-guitarrista-mentor-e-porta-voz da banda, Adriano Cintra, fosse levantar e pagar o esporro para produção, para o público, para imprensa e para o Brasil. Quase. Daí que as coisas se acertaram e o público foi ao delírio com tudo que só ouvia falar que o CSS era capaz. E a banda parecia feliz no país em que ela não estourou. No mais, aquele argumento que o CSS é só uma piada armada pelos modernetes de SP parece não colar tão bem como quando tudo isso começou.

11) Arctic Monkeys @ TIM Festival – Marina da Glória

Foi um trabalho difícil esperar e assistir os Arctic Monkeys. O calor era absurdo o cheiro de suor pior ainda. Todo mundo se espremia para ver “primeira grande banda da geração myspace”, incluindo os fãs histéricos que formam a “geração myspace”. Era o primeiro grande show de grande parte dos presentes, a quantidade de pais na fila não nega (a censura era 16 anos). Era o dia da vida daquelas pessoas pelo tanto que todos pulavam, gritavam e se entregavam àquelas canções. E o show? Foi rápido, certeiro e se muitas firulas. O repertório juntando as melhores dos dois discos já forma um bom conjuto e a banda parece disposta a executar cada uma das músicas da forma mais precisa possível. A bela ” A certain romance” fechou brilhante a noite suada. Sem bis. Sem “tchau! obrrigadou brrrahsil!”. Pelos sorrisos, ninguém se importou. Nem eu.

10) Hot Chip @ TIM Festival – Marina da Glória

Das várias mancadas (e não foram poucas) que a produção do TIMFest cometeu na edição 2007, a maior (para mim) com certeza foi ter escalado o Hot Chip para tocar antes do Arctic Monkeys. A maior tenda da Marina da Glória abarrotada de gente não foi o lugar perfeito para eletrônica pesada, psicodélica e extremamente dançande do Hot Chip. As fãs dos macacos faziam cara de “oi?” com as longas jams de teclado, sinterizadores, baixo e uma eventual guitarra, provavelmente se perguntando quem era o nerd enrolado num saco plástico que comandava aquilo tudo. Eu até tentei dançar. Não deu. Mas pelo que se ouviu, os ingleses estão perto de cometer uma obra-prima em seu terceiro disco, “Made In The Dark” (já vazado, mas com uma voz irritante por cima).

09) Vanguart @ Cinematéqué Jam Club

Não vou negar que meu primeiro show do Vanguart foi bem decepcionante. Atraso de quase 2 horas, o som nefasto do Teatro Odisséia (e o chopp quente e caro do local) e a banda parecendo não estar nos seus melhores dias fizeram que eu quase mudasse minha opinião sobre a banda. Por sorte, uma nova chance apareceu, na charmosa e aconchegante Cinematéqué, com um som bem mais audível e ainda com abertura luxuosa do duo de folk-rock chileno Perrosky. E o Vanguart não decepcionou, mesmo com um Hélio Flanders com voz arranhada. O show foi longo e intimista, com banda e público batendo papo. O set resgatou algumas canções dos primeiros EPs, além de belas versões para minhas favortitas (“Para abrir os olhos” e “Antes que eu me esqueça”) e final com duas covers de Beatles. Classe.

08) The Killers @ TIM Festival – Marina da Glória

Algumas pessoas devem se lembrar da seguinte citação que descreve bem a função de um frontman: “I connect. I get people off. I look for the guy who isn’t getting off, and I make him get off.” A frase pertence a Jeff Bebe, vocalista da banda fictícia Stillwater (de “Quase Famosos”), mas não soaria estranha na boca de Brandon Flowers. Não importava o quão cafona pudesse estar o palco, não importava o quanto o resto da banda se esforçasse para aparecer, era Brandon que comandava a platéia. Flowers ia até a tal pessoa que não estava ‘geting off’ e fazia ela estourar os pulmões e os tornozelos de tanto cantar e pular. Metade Morrissey, metade Mercury, Brandon se encaminha para ser o cantor das multidões dessa década. Só tem que tomar cuidado para música não ficar pelo meio do caminho.

07) The Magic Numbers @ Festival Indie Rock – Circo Voador (25/07)

“Tudo fica bem quando acaba bem” é o clichê perfeito para o primeiro dia do Festival Indie Rock. Nem Lucas Santta, nem Hurtmold conseguiram animar o pequeno público, disperso no Circo Voador. A noite parecia perdida e os a atração principal não gerava uma expectativa tão promissora. Vindos de um disco bastante inferior a sua estréia (“Those The Brokes”, 2006), o Magic Numbers chegava ao Brasil como um hype da outra estação. Só que aí – trocadilhemos – fez-se a mágica. E todo mundo ali lembrou porque tinha vindo e porque gostava de Magic Numbers. Para os queriam sucessos, “Take a chance” e “Love me like you”. Para os corações ternos “I see you, you see me” e “Undecided”. Para os confusos, “The mule” e a nova “Fear of sleep”. Para todos, “Forever lost”. “Fofo”, saca?

06) Björk @ TIM Festival – Marina da Glória

“Volta” pode não ter sido tudo aquilo que prometia ser, mas ao vivo, seu mundo multicolorido e conectado funcionou como poucos. Indo das “paisagens emocionais” de “Jóga” ao batidão revolucionário de “Declare independence”, Björk brindou o público brasileiro com um show à altura de suas prentensões. Não bastassse o vestido de pós-bufão-de-carnaval, a islandesa trouxe consigo toda a maravilhosa parafernália pirotécnica, fazendo do show uma experiência audiovisual única, que justifica todo blábláblá de “artista total” que vem preso à Björk.
[resenha completa]

05) The Rapture @ Planeta Terra (10/11)
Impossível ficar parado é o mínimo que pode ser dito sobre seu corpo no show do Rapture. Fechando a noite do palco ‘indie’ do Planeta Terra, os novaiorquinos tocaram com os graves no limite, jogando a platéia num transe contínuo ao som do melhor punk-funk-disco. É o tipo de banda que faz muito mais sentido no palco, onde mesmo canções supostamente mais discretas como “First gear” se tornam petardos irresistível.

04) LCD Soundsystem @ Via Funchal (13/11)

“Get innocuous”, essa aí no vídeo abaixo, nem foi uma das melhores do show. Tem noção?

3) Girl Talk @ TIM Festival – Marina da Glória

Quando os pés já doiam e a vontade de sair da Marina da Glória parecia forte demais para ser ignorada, subiu no palco um americano quase-baixinho, nerd-descolê e disse que tinha vindo de Pittsburg para fazer a festa aqui no Brasil. Daí tudo correu rápido demais e de uma maneira intensa demais para ser descrita. Imagine comprimir os 50 e tantos anos de música pop no pequeno lapso de meia hora e dançar loucamente isso tudo. Foi um pouco mais que isso.

2) Mombojó @ Circo Voador (02/06)

Alguns shows são mais do que puras e simples apresentações musicais. Eles podem não mudar o mundo, mas podem mudar alguma coisa na sua vida. No caso, esse show do Mombojó fez resgatar muita da minha esperança que as coisas podem se acertar, mais especificamente no rock brasileiro. Os pernambucanos estão no topo do seu jogo. A melhor banda do Brasil.

1) LCD Soundsystem @ Circo Voador (16/11)

A excelência de James Murphy já tinha sido comprovado no show de São Paulo (nº 4 dessa lista), mas ver o LCD Soundsystem no Circo Voador garantiu uma das melhores noites ever. Não bastasse a banda estar mais animada do que em SP e ter espaço de sobra para dançar (ingressos a 100 reais fizeram muita gente desistir), o Circo é o Circo. Eu poderia perder meu tempo falando tentado descrever o quão insano foram os 20 minutos da “Yeah!”, ou que o empurra-empurra em “Movement” deixaria qualquer outro empurra-empurra envergonhado. Ou poderia dizer que “All my friends” é definitivamente uma das música da década. Resumo: o show do ano.