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Melhores Músicas de 2007: 30 – 21

30) “Let me know”
Roísín Murphy
Se a nova disco é realmente a nova onda, já podem eleger uma rainha. Mesmo sendo uma britânica branquela, a ex-triphopper Roísín fez melhor que qualquer embuste de ítalo-americano como Glass Candy ou Chromatics. Disco-funk eletrônico e groveeado perfeito para pista.
29) “Keep the car running” MP3
The Arcade Fire
Mesmo sendo um disco aterrorizado pelo tempo que o circunda, “Neon Bible” vence quando aposta da esperança. Como Boss das antigas, o frontman e guia estético do Arcade Fire, Win Butler, canta acreditando em cada letra e nota que sai de sua boca. Enquanto isso, o resto da banda faz uma rock-song inventiva, que remete tanto ao folk acelerado do próprio Boss, quanto ao U2 de “The Joshua Tree”, mas deixando claro seu amor às harmonias dos primeiros trabalhos do New Order. Eles são uma das bandas mais importantes hoje e aqui começam a dar seus passos rumo ao inconsciente coletivo.
28) “Stronger” MP3
Kanye West
Você pode chamá-lo de convencido. Ele é. De oportunista. Também. De hipster do hip hop. Certo. Mas pense em outro artista que possa fazer sucesso tanto na Billboard, quanto na Pitchfork? Kanye West é o perfeito popstar do século 21: esperto, bem conectado e cheio de referências. É um popstar 2.0. E “Stronger” é mais uma prova disso. Eletrônica sintética à francesa, arte multicolorida e tecnológica nipônica, se-achismo americano, tudo isso misturado numa linguagem que é da hood e do rock ao mesmo tempo.
27) “Melodie day” MP3
Caribou
Culpem os Beatles, os Beach Boys, os Zombies. Desde que o pop pôde ser psicodélico, o gênero vem nos dando maravilhas como essa “Melodie day”. A canção começa acelerada e espacial, vocal sussurado, até que uma barulheira caótica e suave de sopros, percussão e barulhos eletrônicos toma conta da faixa, explodindo num refrão de várias cores. Soa como se o Mercury Rev, o Animal Collective e o Zero 7 fossem uma única grande banda.
26) “Crumble” MP3
Dinosaur Jr.
“Crumble” conquista já nos primeiros segundos. O riff inicial aparece enchardo de emoção, a distorção e a mesma de todos os outros clássicos feitos com a guitarra de J Mascis, a letra é sentimental de quando o “sentimental” não era “emo”. Tudo que uma pessoa pode gostar no Dinousaur Jr. está aqui concetrados em 3 minutos de frescor noise-pop, como se 87 fosse 2007 e vice-versa.
25) “Heart of hearts” MP3
!!!
“Heart of hearts” é basicamente um resumo do ótimo “Myth Takes”, primeiro grande disco do !!! (ou Chk Chk Chk). O baixo roubado do Gang Of Four, a salada rítmica da eletrônica, uma certa barulheira urbana à la Sonic Youth e vocais soul obscuros e sexys no novo soul se encontram numa das melhores faixas de pista de 2007. É um salve-se-quem-puder delirante e delicioso que soa como o Maroon 5 dopado de ecstasy e ácido tocando Prince no meio de uma rave comunista. !!! é um nome bem apropriado, não acham?
24) “Get lucky (The Twelves remix)” MP3
New Young Pony Club
Como vocês verão em algum post à frente, “Fantastic Playroom” do New Young Pony Club foi um dos piores discos do ano. Todas as faixas são extremamente fracas e as que ficam um pouco acima do medíocre, imploram por um remix decente. É o caso de “Get lucky”, que encontra nessa versão da dupla de produtores brasileiros The Twelves sua redenção. É o melhor remix dos caras e de tão boa (ainda mais comparada à original) acaba virando uma música “deles”. E não é que Niterói não tem só uma bela vista para o Rio?
23) “Plasticities” MP3
Andrew Bird
Taí outra música que entrou pelo quesito “escolhas pessoais”, mas não da mesma forma que “Antes que eu me esqueça”. Por um motivo ou sentimento que eu ainda desconheço, “Plasticities” me pegou de jeito como poucas ano passo. A melodia é linda, o arranjo melhor ainda e a letra é cheia de metáforas que eu não “peguei”, mas nada disso serve para explicar o sorriso redentor que ela coloca na minha cara toda vez que ouço.
22) “505” MP3
Arctic Monkeys
Todos nós amamos “I bet that you look good on the dancefloor”, “Brianstorm”, “Old yellow bricks” e qualquer outro hino de pista que os Arctic Monkeys tenham feito nesses dois anos. Eles são bons nisso, não dá para negar. Mas são ainda melhores quando diminuem as batidas para despejar emoção movida à guitarras nas composições mais lentas – só lembrar de “A certain romance”, a melhor música de 2006 e fácil umas das melhores da década. “505” começa quase espacial, com Alex Turner cantando macio como numa banda de dream pop. A letra é bem simples, sem aquela verve verborrágica de Turner, só empilhando um monte declarações tão piegas que, não fosse a bela melodia, deixariam seus níveis de sacarina acima do permitido (“stop and wait a sec / when you look at me like that / my darling, what did you expect? I’d probably still adore you with you hands around my neck” é minha favorita). Quando a canção explode num solo de guitarras, – que seria o melhor do ano se o Wilco não tivesse lançado disco em 2007 – você já está entregue e de coração mole.
21) “Sleeping lessons” MP3
The Shins
O clima hipnótico dos teclados e da voz sutil de James Mercer que pontuam o início de “Sleeping lessons”, faixa de abertura do terceiro disco do The Shins, pouco revela sobre o que está prestes a acontecer. É quando as guitarras surgem e a voz de Mercer reaparece mais segura e emocionada que o milagre se processa. Milagre, sim. Um daqueles momentos irracionais em você se pergunta que poder é esse que a música pop tem de nos engasgar com nossos próprios corações, sem conseguir soltar o mínimo grunido. Acontece.
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Melhores Músicas de 2007: 90 – 81

90) “Carnaval”
Nação Zumbi
É estranho que só agora, quase 15 anos depois da sua revolução, a Nação faça uma música como “Carnaval”. A melhor faixa de “Fome De Tudo” é uma reimaginação do começo da fase elétrica de Jorge Ben, com o suíngue da guitarra de Lúcio Maia sambando com os tambores característicos do grupo. Destaque ainda para o refrão poderoso e para o arranjo eficiente com direito a um naipe de metais, solução pouco usada pela banda.
89) “Either way”
The Twang
Em nenhum momento da história recente da música britânica uma banda tinha conseguido soar tão britpop. Uma canção de amor assobiável, com refrão emocionante, orquestrações pomposas e aquela produção impecável que se fazia lá em 1995. Noel Gallagher devia checar seus arquivos para ver se nada foi roubado.

88) “Beautiful life”
Gui Boratto
Como a bela capa de seu disco de estréia, o produtor brasileiro Gui Boratto sabe congregar como poucos as várias cores da eletrônica atual E nessa faixa, há espaço para todas elas. House, ambient, techno, minimal, electro…tudo em uma única canção, que não traz a palavra ‘beautiful’ no nome por acaso.

87) “Mansard roof”
Vampire Weekend

A esta hora de 2008, o Vampire Weekend para alguns pode ser até notícia velha, mas essa canção sozinha garante todo frescor da novidade. Parte vinda de audições repetidas de “Frankly, Mr. Shankly” dos Smiths, parte do incoscinete coletivo alterado pelo sucesso de “Graceland” do Paul Simon, essa canção é pop perfeito e inventivo pronto para ser consumido por ouvidos mais espertos.

86) “Roc boys (and the winner is)”
Jay-Z
Marketing cruzado disfarçado de livre inspiração, “American Gangster”, o disco, mostrou Jay-Z encarnando seu próprio mito, construído rima sobre rima desde “Reasonable Doubt”. Marcado por um sensacional riff de corneta, o primeiro single mostra Jay cantando sobre ser um gângster, vender drogas e pagar bebidas para os manos e para minas. A mesma velha história, agora em película num multiplex perto de você.

85) “Fear of sleep”
The Magic Numbers
Depois de um disco menos impactante que o delicioso álbum de estréia, o Magic Numbers voltou a encantar no EP “Undecided”, que trazia duas inéditas, “The shootter” e essa “Fear of sleep”. Apesar de já terem flertado com os Smiths nas duas primeiras faixas de “Those The Brokes”, aqui os Magic Numbers levam Morrissey e Marr para um passeio no blues, estilo que a banda já havia experimentado em “The mule” do disco de estréia. Romeo Stodart já disse que o terceiro álbum dos Numbers será seu disco clássico. E ele deve estar certo.

84) “2 hearts (The Twelves remix)”
Kylie Minogue
A original é uma irritante tentativa de Kylie soar como uma quarentona-sexy cantando um jazz-pop da pior qualidade. Pense naquela da Christina Aguilera, “Ain’t no other man”, sem a metaleira deliciosa. Booooring. Daí surgem dois produtores de Niterói (RJ) e esquentam a mistura com doses fartas de Daft Punk. Pronto, Kylie já tem sua nova “Can’t get you out of my read”.

83) “You got it all…wrong!” MP3
The Hives
Ninguém pode culpar o Hives por não ter tentado. “The Black And White Album” até se esforça para ser algo mais complexo e desafiador, mas os suecos funcionam mesmo tocando seu pretty-dumb-but-amazing-rock-n-roll como vêm fazendo desde “Veni Vidi Vicious”.

82) “Ruby”
Kaiser Chiefs
Tão estúpida quanto todo resto da produção do Kaiser Chiefs, “Ruby” é aquele tipo de música que você ouve e só acha “boazinha”. Daí o maldito refrão idiota (“Ahh Ruby, Ruby, Ruby, Rubeeeee! Ahhhhhhh! Ah D-d-do ya?”) gruda na sua cabeça e você se pega cantado isso no metrô, escovando os dentes, ouvindo outra música, dormindo…um horror. Nesse caso um horror legal chupado direto dos últimos discos do Morrissey.

81) “A paw in my face”
The Field
“Minimalism describes movements in various forms of art and design, especially visual art and music, where the work is stripped down to its most fundamental features”, é o que diz a Wikipédia. O The Field funciona mais ou menos como o que está descrito. As batidas são cirurgicamente escolhidas e repetidas sobre a discreta cama de sintetizadores, tudo com variações tão sutis que parece não ser a música que mudou de andamento, foi você que se mexeu. Extremamente simples, extraordinariamente efetivo.