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Os 50 Melhores Discos de 2007

01) “Sound Of Silver”, LCD Soundsystem
02) “In Rainbows”, Radiohead
03) “Boxer”, The National
04) “Vanguart”, Vanguart
05) “Person Pitch”, Panda Bear
06) “The Magic Position”, Patrick Wolf
07) “Andorra”, Caribou
08) “A Amarga Sinfonia Do Superstar”, Superguidis
09) “Neon Bible”, The Arcade Fire
10) “Our Earthly Pleasures”, Maxïmo Park
11) “Sky Blue Sky”, Wilco
12) “Ga Ga Ga Ga Ga”, Spoon
13) “Favorite Worst Nightmare”, Arctic Monkeys
14) “The Cool”, Lupe Fiasco
15) “Let’s Stay Friends”, Les Savy Fav
16) “The Stage Names”, Okkervil River
17) “Voxtrot”, Voxtrot
18) “Strawberry Jam”, Animal Collective
19) “The Reminder”, Feist
20) “Night Falls Over Kortedala”, Jens Lekman
21) “Rise Above”, Dirty Projectors
22) “Beyond”, Dinosaur Jr.
23) “Simulacro”, China
24) “Marry Me”, St. Vincent
25) “Carnaval Só Ano Que Vem”, Orquestra Imperial
26) “Magic”, Bruce Springsteen
27) “Hissing Fauna, Are You The Destroyer?”, Of Montreal
28) “From Here We Go Sublime”, The Field
29) “Liars”, Liars
30) “Myth Takes”, !!!
31) “Attack Decay Sustain Release”, Simian Mobile Disco
32) “Myths Of Near Future”, Klaxons
33) “Tones Of Town”, Field Music
34) “A Guide To Love, Loss And Desperation”, The Wombats
35) “Overpowered”, Roísín Murphy
36) “Armchair Apocrypha”, Andrew Bird
37) “Cease To Begin”, Band Of Horses
38) “Challengers”, The New Pornographers
39) “Easy Tiger”, Ryan Adams
40) “Disco Paralelo”, Ludov
41) “Mirroed”, Battles
42) “Era Vulgaris”, Queens Of The Stone Age
43) “Kala”, M.I.A.
44) “Lust Lust Lust”, The Raveonettes
45) “Because Of The Times”, Kings Of Leon
46) “Chega De Falsas Promessas”, Canastra
47) “Untrue”, Burial
48) “Icky Thump”, The White Stripes
49) “23”, Blonde Redhead
50) “Cassadaga”, Bright Eyes

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Os 10 Piores Discos de 2007

Sem capinhas e sem cometários porque, além desses aqui não merecerem, estou com preguiça.

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10) “A Weekend In The City”, Bloc Party
09) “Zeitgeist”, The Smashing Pumpkins
08) “Cryptograms”, Deerhunter
07) “I Create Disco”, Calvin Harris
06) “Smokey Rolls Down The Thunder Canyon”, Devendra Banhart
05) “Fantastic Playroom”, New Young Pony Club
04) “Yours Trully, Angry Mob”, Kaiser Chiefs
03) “Descartável Longa Vida”, Ecos Falsos
02) “Some Loud Thunder”, Clap Your Hands Say Yeah
01) “We’ll Live And Die In These Towns”, The Enemy

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Melhores Músicas de 2007: 10 – 01

10) “Golden skans”
Klaxons

Enquanto o mundo se concentrava na discussão boba da new rave (existe? não existe? é legal?), os Klaxons preferiram surfar uma outra onda ao invés daquela que eles próprios (supostamente) criaram. Esqueça o disco-punk com influências madchester, “Golden skans” é puro indie-rock psicodélico perfeito. Dá pra dançar, dá pra ouvir na rádio, dá pra bater cabeça no show e também dá pra chacoalhar alguns glowsticks, se for o caso.
09) “D.AN.C.E.”
Justice
Mais que uma música, essa aqui foi quase um fenômeno cultural. O refrão, a palavra de ordem (“do the dance!”, o clipe, os remixes… Tudo em “D.A.N.C.E.” tem um brilho pop capaz de agradar de metaleiros a fashionistas, e colocar todos esses pra dançar na mesma vibe Daft Punk encontrando Jackson 5.
08) “All I need”
Radiohead
Foram 15 anos para que o Radiohead lançasse sua canção definitiva sobre amor, desejo e obsessão. “All I need” é “Creep”, “High and dry”, “Climbing up the walls” e “True love waits” em uma única música. O instrumental é bastante simples, uma batida fuleira de trip hop que vai duelando com um sintetizador pesado e distorcido e com notas esparsas de um piano, enquanto a voz canta, disléxica, a letra cheia de imagens estranhas e poderosas. Uma mariposa rodeando a luz no teto, um animal preso num carro, os dias que você escolheu esquecer. No final do segundo refrão, a melodia do piano começa ficar mais forte, até que explode junto com a discreta levada de bateria. É o momento em que “In Rainbows” e o Radiohead se revelam em toda a sua grandeza. É o terror das últimas esperanças presente no refrão de “There’s a light that never goes out” dos Smiths misturado com o êxtase espiritual e idealista de “All is full of love” da Björk. É inefável. Nessa confusão de sentimentos, Yorke mata a charada: “it’s all right, it’s all wrong”.

07) “Bros”

Panda Bear
Provavelmente, os melhores 12 minutos (!) de 2007. Ou seria uma vida inteira encapsulada numa música? Verdade é que “Bros” me fez sentir muito mais do que eu poderia compreender. É como se, mais do samples, o Panda Bear tivesse colado pedaços de memória aqui, onde cada barulho remete a um momento, uma história, uma pessoa. É uma sensação estranha (no começo), mas poucas vezes a estranheza soou tão doce.
06) “Let’s dance to Joy Division” MP3
The Wombats
Não dá para entender realmente o que os Wombats quiseram com essa música. É só mais um pop de três minutos à Libertines que você já está cansado de ouvir (e dançar). É ordinária, estúpida e incrivelmente grudenta. Mas o que falar do refrão? Thom Yorke fingindo burrice e bom humor? Damon Albarn voltando a ser liricamente relevante? Realmente, ainda não sei como um refrão tão idiota pode sintetisar com tanta perfeição a dualidade ambulante que é viver nos anos 2000. So let’s dance to Joy Division

05) “Impossible Germany” MP3

Wilco
Jeff Tweedy é um homem de grandes palavras e grandes melodias, não tenha dúvida. E “Impossible Germany” é perfeita, como várias outras do Wilco, nos dois quesitos. Confortavelmente estacionado no anos 70, Tweedy ecoa a sutileza rude de um Neil Young com o polimento pop do country alternativo que ele mesmo inventou no Uncle Tupelo. A letra pode ser construída por uma metáfora estranha (o amor é uma Alemanha impossível?), mas nem por isso deixa de emocionar. Aí chega o solo (coisa de velho, podicrê) e você fica incapacidado de balbuciar qualquer coisa. Então, cada nota da guitarra de Jeff é uma batida do seu coração e todas elas – vou cair num clichê trocadilhesco perigoso, mas foda-se – dizem eu te amo.
04) “Stop me” MP3
Mark Ronson feat. Daniel Merryweather
Por essa nem o Morrissey esperava. Quem diria que 20 anos depois, o rockão que foi trilha do fim dos Smiths se transformaria numa das melhores canções soul dos últimos tempos? Passando da crítica à mesmice do pop de 87 ao mal-amor desse 2007, “Stop me” traz a síntese do que Mark Ronson propôs nesses 2 anos de hype: produção caprichada que é tanto sessentista quanto doismilanista, vocal perfeito de algum dos seus protegés e conexões pop – o indie rock com a Motown, o branquelo nerd mal amado com a divas negras duronas e doces do soul – que são a cara desses tempos.
03) “Para abrir os olhos” MP3
Vanguart
Mesmo que seja baseada num lugar comum bem, uhm, comum (“o que importa é o que te faz abrir os olhos de manhã”), “Para abrir os olhos” ganha na sinceridade. Ainda que envoltos num hype estranho, o Vanguart se entrega como poucos ao que faz e com isso te leva junto na viagem. Entre o niilismo e a esperança, a canção passeia num campo que o pop já visitou várias vezes, – a busca por respostas como sentimento-motriz da vida – só que nesse caso isso é exatamente o que eles querem dizer, sem meias palavras, sem outras interpretações. E isso, não importa se é em 67 ou 2007, sempre funciona.
02) “Fireworks” MP3
Animal Collective
Seja pelo vocal de Avey Tare, seja pelo arranjo, seja pela melodia em si, é impossível não perceber que em “Fireworks” o Animal Collective quis ser tão entendido quanto necessário para entrar no inconsciente coletivo. A voz soa clara, expressiva, enquanto o arranjo é ordenado, quase racional. A melodia é brilhante e grudenta como em “Grass” e “Who can win a rabbit?”, mas agora sua jornada aos corações fica facilitada pela ausência do caos distrativos dos outros trabalhos da banda. Ainda um dos poucos quebra-cabeças irresolutos dos anos 2000, Animal Collective fez de “Fireworks” não só momento mais acessível, mas também sua melhor canção, uma daquelas para figurar entres as grandes do nosso tempo.
01) “All my friends” MP3
LCD Soundsystem
Poderia ser diferente? No momento em surgiu, lá no finalzinho de 2006/comecinho de 2007, “All my friends” já gritava alto que era uma canção destinada a grandeza: o acorde do piano repetido over-and-over crescendo little-by-little, batalhando com o baixo New Order das antigas (mais “Ceremony” do que “Perfect kiss”), a bateria kraut, os sintetisadores bagaceiros oitentistas e a guitarra indie-rock-raça-pura. Tudo isso costurado por um vocal firme de James Murphy. Ali, quando ainda dávamos os primeiros passos para dentro do ano passado, “All my friends” já era tudo o que precisávamos. Só que aquele refrão, aquela letra, aquele ritmo quase dançande, aquele sentimento de melancolia se transformando em alegria e motivação sinceras decidiram não sair das nossas cabeças, pés, e corações. Você se entrega: “Where are your friends tonight? Where are your friends tonight?”. Estava aí, em 5 palavras das mais simples, o zeitgeist que o Billy Corgan falhou em descobrir em um disco inteiro. E eu te pergunto, poderia ser diferente?
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Melhores Músicas de 2007: 20 – 11

20) “Stars”
Patrick Wolf
Depois de dois bons mas irrgulares discos, Patrick Wolf voltou com um álbum que é perfeito nas misturas de folk, eletrônica e pop old school que marca a carreira do cara. “Stars”, penúltima faixa de “The Magic Position”, é o melhor exemplo do que ele é capaz de fazer: sintetisadores, violinos e piano caminhando juntos num crescendo de harmonia absurdo, que maximiza o sentimento de alma lavada do álbum e de toda música de Wolf. Novo Bowie? Bem que pode ser.

19) “Make it wit chu”
Queens Of The Stone Age
Depois a psycho-excentricidade chata de parte do “Lullabies To Paralyse”, o QOTSA voltou com um álbum que é um mais do mesmo do começo ao fim, só que dos bons. E cabe a melhor faixa de “Era Vulgaris” resumir o disco e carreira do grupo. Na superfície, é só uma balada soul-rock, mas ouça de perto e você ser invadido por um caleidoscópio de referências, – doses fartas de blues, psicodelia, country, e rock garageiro – tudo costurado pelo melhor vocal de Josh Homme.

18) “1 2 3 4”
Feist
A feel-good-song-of-the-year. Uma melodia feliz, uma interpretação feliz, uma letra feliz, um clipe ultra-feliz, um comercial feliz. Se você não cometeu assassinatos de velhinhas lerdas, xingou a mãe do motorista ao lado, ou mandou o mundo inteiro para aquele lugar, pode ter sido por causa dessa música.

17) “Tears dry on their own”
Amy Winehouse

Para o bem ou para o mal, 2007 foi o ano da Wino. Entre sucesso massivo e a sarjeta, a magrela teve tempo ainda de lançar esse single maravilhoso que ficou em loop por vários e vários meses no cd player aqui de casa. É basicamente o que “Back To Black” tem de melhor: soul sessentista sobre ser um love-junkie, com arestas polidas pela produção caprichada do Mark Ronson.

16) “Atlas”
Battles
O single que puxou o promissor “Mirroed” é um resumo do que fez do Battles umas das coisas mais interessantes do pop em 2007. Não se engane. Assim como a Britney, o Fall Out Boy e os Arctic Monkeys, o Battles é pop. Talvez não da maneira que você estava esperando, mas ainda POP. Em “Atlas”, a banda desmonta o quebra-cabeça do rock setentista (de Can a Led Zeppelin, de Black Sabbath a Gang Of Four), para então transformar a música no melhor rock de arena que apareceu durante o ano. Os meios podem até ser diferentes, mas o fim – galera fazendo air guitar, batendo cabeça e cantando o refrão (?) – é o mesmo de 30 anos atrás.

15) “I’m gonna teach your boyfriend how to dance with you”
Black Kids
Quem me conhece sabe o quanto eu gosto de dançar e como eu até faço isso adequadamente (eu acho ou as pessoas mentem…). E todo mundo sabe que a minha vida é buscar as pop songs de três minutos. Então, não é difícil entender porque “I’m not gonna teach your boyfriend how to dance with you” é uma das melhores canções do ano passado. Pop perfeito de 3 minutos que junta Smiths, Cure, Strokes com soul music (nova paixão, anota aí) numa letra que fala sobre dançar bem e ainda sim não conseguir a garota que você quer. Clássico, já.

14) “Grip like a vice”
The Go! Team
O Go! Team não é uma única banda, são vários grupos, cada um tocando uma coisa diferente, só que com a mesma formação. Apesar de não ser tão impactante quanto a estréia “Thunder, Lightining And Strike”, o segundo disco do coletivo inglês trouxe essa pérola chamada “Grip like a vice”. Em menos de 4 minutos, o Go! Team junta rock de estádio, girl groups dos anos 60 (via Spice Girls), new rave, Public Enemy e noise rock, sem que em momento algum a bagunça atordoe o ouvinte.

13) “Mistaken for strangers”
The National
Como a ovelha negra que insiste em jogar os podres a família feliz no ventilador, o National foi a banda anti-2007 e tudo que isso respresenta. Não há esperança, não há hedonismo e não há palavras felizes em “Mistaken for strangers”. Estamos tão fodidos que nem nossos amigos nos reconhecem mais, é o que canta a voz cavernosa de Matt Beringer. No som, a determinação de Bruce Springsteen (sempre ele!) encontra a desolação conformada do Joy Division numa das canções mais aterradoras do ano.

12) “You! Me! Dancing!”
Los Campesinos!
Desde que ouvi essa pela primeira vez, achei impossível que alguém no mundo pudesse não gostar dela. “You! Me! Dancing!” é tão feliz, tão entusiasmada com a vida que fica impossível não sorrir quando os três acordes que formam coluna vertebral da música aparecem pela primeira vez. A canção junta New Order, Belle And Sebastian e Guided By Voices em doses equilibradas e a letra…bem, a letra fala sobre dançar, dançar com seus amigos e não ligar para o que os outros pensam disso, mesmo que você não saiba dar um passo na pista. It’s you! It’s me! And there’s dancing! Dá para querer outra coisa?

11) “Your urge”
Maxïmo Park
É o mesmo caso de “Antes que eu me esqueça”, só que “Your urge” está no 11º lugar dessa lista. Balada nervosa que embalou alguns momentos emocionalmente decisivos de 2007. Enough said.

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Melhores Músicas de 2007: 30 – 21

30) “Let me know”
Roísín Murphy
Se a nova disco é realmente a nova onda, já podem eleger uma rainha. Mesmo sendo uma britânica branquela, a ex-triphopper Roísín fez melhor que qualquer embuste de ítalo-americano como Glass Candy ou Chromatics. Disco-funk eletrônico e groveeado perfeito para pista.
29) “Keep the car running” MP3
The Arcade Fire
Mesmo sendo um disco aterrorizado pelo tempo que o circunda, “Neon Bible” vence quando aposta da esperança. Como Boss das antigas, o frontman e guia estético do Arcade Fire, Win Butler, canta acreditando em cada letra e nota que sai de sua boca. Enquanto isso, o resto da banda faz uma rock-song inventiva, que remete tanto ao folk acelerado do próprio Boss, quanto ao U2 de “The Joshua Tree”, mas deixando claro seu amor às harmonias dos primeiros trabalhos do New Order. Eles são uma das bandas mais importantes hoje e aqui começam a dar seus passos rumo ao inconsciente coletivo.
28) “Stronger” MP3
Kanye West
Você pode chamá-lo de convencido. Ele é. De oportunista. Também. De hipster do hip hop. Certo. Mas pense em outro artista que possa fazer sucesso tanto na Billboard, quanto na Pitchfork? Kanye West é o perfeito popstar do século 21: esperto, bem conectado e cheio de referências. É um popstar 2.0. E “Stronger” é mais uma prova disso. Eletrônica sintética à francesa, arte multicolorida e tecnológica nipônica, se-achismo americano, tudo isso misturado numa linguagem que é da hood e do rock ao mesmo tempo.
27) “Melodie day” MP3
Caribou
Culpem os Beatles, os Beach Boys, os Zombies. Desde que o pop pôde ser psicodélico, o gênero vem nos dando maravilhas como essa “Melodie day”. A canção começa acelerada e espacial, vocal sussurado, até que uma barulheira caótica e suave de sopros, percussão e barulhos eletrônicos toma conta da faixa, explodindo num refrão de várias cores. Soa como se o Mercury Rev, o Animal Collective e o Zero 7 fossem uma única grande banda.
26) “Crumble” MP3
Dinosaur Jr.
“Crumble” conquista já nos primeiros segundos. O riff inicial aparece enchardo de emoção, a distorção e a mesma de todos os outros clássicos feitos com a guitarra de J Mascis, a letra é sentimental de quando o “sentimental” não era “emo”. Tudo que uma pessoa pode gostar no Dinousaur Jr. está aqui concetrados em 3 minutos de frescor noise-pop, como se 87 fosse 2007 e vice-versa.
25) “Heart of hearts” MP3
!!!
“Heart of hearts” é basicamente um resumo do ótimo “Myth Takes”, primeiro grande disco do !!! (ou Chk Chk Chk). O baixo roubado do Gang Of Four, a salada rítmica da eletrônica, uma certa barulheira urbana à la Sonic Youth e vocais soul obscuros e sexys no novo soul se encontram numa das melhores faixas de pista de 2007. É um salve-se-quem-puder delirante e delicioso que soa como o Maroon 5 dopado de ecstasy e ácido tocando Prince no meio de uma rave comunista. !!! é um nome bem apropriado, não acham?
24) “Get lucky (The Twelves remix)” MP3
New Young Pony Club
Como vocês verão em algum post à frente, “Fantastic Playroom” do New Young Pony Club foi um dos piores discos do ano. Todas as faixas são extremamente fracas e as que ficam um pouco acima do medíocre, imploram por um remix decente. É o caso de “Get lucky”, que encontra nessa versão da dupla de produtores brasileiros The Twelves sua redenção. É o melhor remix dos caras e de tão boa (ainda mais comparada à original) acaba virando uma música “deles”. E não é que Niterói não tem só uma bela vista para o Rio?
23) “Plasticities” MP3
Andrew Bird
Taí outra música que entrou pelo quesito “escolhas pessoais”, mas não da mesma forma que “Antes que eu me esqueça”. Por um motivo ou sentimento que eu ainda desconheço, “Plasticities” me pegou de jeito como poucas ano passo. A melodia é linda, o arranjo melhor ainda e a letra é cheia de metáforas que eu não “peguei”, mas nada disso serve para explicar o sorriso redentor que ela coloca na minha cara toda vez que ouço.
22) “505” MP3
Arctic Monkeys
Todos nós amamos “I bet that you look good on the dancefloor”, “Brianstorm”, “Old yellow bricks” e qualquer outro hino de pista que os Arctic Monkeys tenham feito nesses dois anos. Eles são bons nisso, não dá para negar. Mas são ainda melhores quando diminuem as batidas para despejar emoção movida à guitarras nas composições mais lentas – só lembrar de “A certain romance”, a melhor música de 2006 e fácil umas das melhores da década. “505” começa quase espacial, com Alex Turner cantando macio como numa banda de dream pop. A letra é bem simples, sem aquela verve verborrágica de Turner, só empilhando um monte declarações tão piegas que, não fosse a bela melodia, deixariam seus níveis de sacarina acima do permitido (“stop and wait a sec / when you look at me like that / my darling, what did you expect? I’d probably still adore you with you hands around my neck” é minha favorita). Quando a canção explode num solo de guitarras, – que seria o melhor do ano se o Wilco não tivesse lançado disco em 2007 – você já está entregue e de coração mole.
21) “Sleeping lessons” MP3
The Shins
O clima hipnótico dos teclados e da voz sutil de James Mercer que pontuam o início de “Sleeping lessons”, faixa de abertura do terceiro disco do The Shins, pouco revela sobre o que está prestes a acontecer. É quando as guitarras surgem e a voz de Mercer reaparece mais segura e emocionada que o milagre se processa. Milagre, sim. Um daqueles momentos irracionais em você se pergunta que poder é esse que a música pop tem de nos engasgar com nossos próprios corações, sem conseguir soltar o mínimo grunido. Acontece.
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Melhores Músicas de 2007: 40 – 31

40) “Foundations”
Kate Nash
Quem pode culpá-las? Elas cresceram ouvindo Spice Girls e assistindo Sex & The City. Aí aprenderam a tocar violão. E sobrou para nós, homens, aguentar dezenas de canções de dezenas de garotas diferentes sobre como nós somos uns babacas. Como pop, “Foundations” é adorável, mas como ato de repúdio dá saudade do tempo em que só existia a PJ Harvey.

39) “Sipping on sweet nectar”
Jens Lekman

Na sua jornada para se tornar o Sinitra indie, Jens Lekman faz uma parada acertada no tempo. Sai a mistura entre o indie pop noventista (Belle And Sebastian, Magnectic Fields) e o cancioneiro clássico dos 50, para entrar de pé no momento fugidio entre os singles da Motown dos 60’s e a disco-music dos 70’s. (Indie) Pop clássico para fãs de Camera Obscura e Bee Gees.

38) “I taught myself how to grow old”

Ryan Adams
Canção-chave de “Easy Tiger”, “I taught myself how to grow old” flagra o melhor compositor de sua geração no momento exato em que esse reaprendeu a sobreviver, depois de experimentar o colapso. No escuro, a gaita chorosa vai dando espaço a um violão tímido, para então servir de cama para o vocal emocionado de Adams, nos conduzindo à claridade branda da sua maturidade. Ryan está de volta, brilhante como sempre.
37) “Apenas leia”
Superguidis

Amarando as pontas soltas entre o indie velho (aquela guitarra do Dinosaur Jr. ou do Guided By Voices) e o indie novo (na levada do Rakes ou do Wombats), o Superguidis fez em “Apenas leia” um tratado de poucas palavras sobre se cansar de bater nas mesmas portas fechadas e falar aquelas coisas legais para quem não quer te ouvir. No mais, não perca a vida toda usando wellaton.

36) “Blood red blood”

Voxtrot
“Oh I’m just trying to do my best / I’m not afraid of life, I’m afraid of death / build my love in the things I say / you’ve gotta lift your face to the breaking day”. São poucas as bandas que conseguiriam transformar em emoção sincera a pieguice do refrão acima. E uma delas é o Voxtrot. Não há cinismo nem ironia na voz de Ramesh Srivastava e isso, apoiado nas suas belas melodias, é talvez o que faça o Voxtrot uma das melhores bandas atuais.

35) “Someone great”

LCD Soundsystem
Você olha pro vazio. Vai buscar água e a geladeira parece ser a única coisa que fazer sentido. A melhor música possível é a da água fria do chuveiro caindo sobre sua cabeça. Aquele velho seriado idiota na TV serve para te fazer esquecer daquelas frase de climáx de comédia romântica que você gostaria ter soltado na noite passada. Seu mundo não acabou, mas, por hoje, qualquer sentido que ela podia ter, se foi. Juntando as pontas soltas entre o synth pop oitentista e a eletrônica minimalista, James Murphy encapsulou toda a desolação da fossa num única música. E ainda tem gente que diz que não há alma na música eletrônica.

34) “Our life is not a movie or maybe” MP3

Okkervil River
Esse single arrebatador que antecedeu o quarto disco dos americanos do Okkervil River é um grande paradoxo. Num efeito brilhante, a letra diz que nossas vidas são filmes ruins, sem climáx e beijo romântico no final, enquanto o instrumental ecoa Bruce Springsteen e a voz emocionada de Will Sheff aparece épica como num grande clássico hollywoodiano. Simples e catártica.

33) “Us placers” MP3

CRS
Essa é daquelas “não tinha como dar errado”. O CRS – Child Rebellion Soldiers ou Chicago Runs Sheet – é na verdade a junção dos três melhores rappers desses tempos, Kanye west + Lupe Fiasco + Pharell. A mania de colaboração é coisa velha no pop americano, mas ás vezes produz maravilhas como essa. Não bastasse o flow perfeito dos três, “Us placers” é basicamente uma reconstrução de “The eraser”, faixa-título e obra-prima do álbum solo de Thom Yorke.

32) “The past is a grotesque animal” MP3
Of Montreal
O Bowie paranóico e invetivo de Berlin tendo como banda de apoio os Flaming Lips se os Flaming Lips tocassem synth pop oitentista fuleiro. Essa base repetitiva e maravilhosa fazendo cama para uma letra que parece de um Morrissey com problemas hiper-grafia ou um Pete Wentz, se esse tivesse lido algum livro além de Harry Potter. O Of Montreal é freak desse jeito, mas como nenhuma outra banda atual, eles conseguem transformar toda essa estranheza em algo brilhante e emocionalmente devastador.

31) “Umbrella” MP3
Rihanna feat. Jay-Z

Não se engane, por trás do sorriso maroto (ha!) e das curvas cuidadosamente esculpidas, existe muita esperteza – ou pelo menos um bom assessor. Depois de samplear Soft Cell (óbvio, mas eficiente) e meter medo na Beyoncé com a maravilhosa “S.O.S.” (2006), Rihanna chamou Jay-Z “na chincha” para tomar de assalto as paradas do mundo inteiro. E fez isso da maneira mais estranha possível. “Umbrella” passa longe de uma hit song comum, é fria, dark, e com um batimento seco e lento. No fim das contas, soa como uma canção do Public Enemy produzida pelo Martin Henett, com uma letra de electro paranóico (que a Kylie Minogue daria os dentes para ter gravado) que caí perfeita na cama de sintetisadores ecoando as fases mais ecuras do Depeche Mode. Como eu disse, não se engane: “Umbrella” é pop perfeito, mas não da maneira que estamos acostumados.

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Melhores Músicas de 2007: 50 – 41

50) “Archangel”
Burial
O Burial foi um daqueles fenômenos que ninguém sabe de onde veio extremamente e nem como aconteceu sem ninguém perceber, só que, estrago feito, é quase impossível viver sem ele. “Archangel” é um soul desfigurado como um quebra-cabeça espalhado numa mesa. Enquanto tudo não se encaixa, é pura imperfeição. Mas, dê-lhe tempo, e as peças vão se juntando sozinhas, formanto uma imagem das mais belas encontradas na música eletrônica em 2007.49) “Miss Simpatia”
Canastra
Fica a dica: se tanto homens e mulheres fossem tão sinceros quanto a letra de “Miss Simpatia”, o mundo seria um lugar melhor. “Não me leve a mal / Hoje eu tô afim de ser superficial / Eu até acho que a gente formaria um bom casal / Quem sabe um dia eu te procure pra que a gente bata um pao com teor mais intelectual”, diz Renatinho no refrão. É legal ser um cara legal, mas também não é fácil e tem dias que dá sim vontade de ser superficial, não é minha gente? O pessoal do Canastra sabe disso e embala tudo numa melodia que parece saída dos anos 20, com todo climinha big band de abertura de novela das seis. Se não fosse tão sincera, tocaria até em casamento.

48) “XR2”
M.I.A.
“Onde você estava em 92?! Onde você estava em 92?!”, a M.I.A. te perguta no começo de “XR2”. No caso, você não interessa, mas Maya Arulpragasam podia estar no meio dos primeiros bailes funks aqui no Rio, num show do Aphex Twin ou fazendo poses no espelho enquanto ouvia o “Erotica” da Madonna. Isso sim é que é ser globalizado e pós-moderno.

47) “The take over, the breaks over”

Fall Out Boy
Com a maré baixando, os sobreviventes do tsunami-emo começam a dar seus passos para fora da praia – ou quase. Enquanto o My Chemical Romance foi de Queen e o Panic At The Disco (sem exclamação, se não eles choram) parece que vai de Beatles, o Fall Out Boy veio com um álbum de pop-rock honesto e ganchudo, – herança dos pós-grunge do fim dos anos 90 – mas aduterado pelo sucesso massivo da música negra americana, garantindo identidade onde todas as franjas parecem iguais. “The take over, the breaks over” é a melhor faixa de “Infinity On High” e é daquelas que dissipa qualquer preconceito, acredite.46) “Catch you”
Sophie Ellis-Bextor
Levanta o braço quem não gostaria de ser perseguido por uma ruivassa de vestido vermelho pelas ruas de Veneza? No clipe de “Catch you”, Sophie Ellis-Bextor realiza seu sonho, meu amigo. Tudo isso muito bem sonorizado com um eletro-pop arrasa-quarteirão, que soa como um mashup entre Strokes e Britney.
45) “She’s got you high”
Mumm-Ra
Se o mundo é um lugar mais feliz hoje do que há 50 anos atrás, culpe os britânicos. “She’s got you high” é mais um daqueles pequenos milagres que a música das ilhas produz desde que os Beatles pegaram o rock (e o amor) para si, e disso tiraram toda uma linguagem própria tão simples que cabe até num rótulo, o british pop. Ou britpop, que é mais adorável ainda. Quase Coldplay, quase XTC, quase Beatles, “She’s got you high” é pop perfeito com o sotaque que melhor soube cantá-lo.44) “Supermercado do amor”
Orquestra Imperial
Confusão é o que dá em colocar tanta gente maluca genial junta. Numa geração em que em que Caos não é só bem vindo, mas vira palavra de ordem, a Orquestra fecha seu primeiro (que venham muitos!) álbum com uma música cheia referências a ele. “Supermercado do amor” é puro 68, tropicalismo sabotando feliz a jovem guarda com um discurso do poeta do Kaos, Jorge Mautner, que é tão 79, que ficaria bem na letra de “Damaged goods” do Gang Of Four. Caótica, catiocamente conceitual e deliciosa! Viva esse bicho de 15-e-tantas cabeças que é a Orquestra Imperial!43) “Detlef Schrempf”
Band Of Horses
Neil Young é um senhor de 62 anos cuja influência na música pop é certamente mais difícil de ser quantificada do que o número de cestas de um jogador da NBA. A comparação não parece só estapafúrdia, mas é e só serve mesmo para falar que a melhor canção do segundo disco do Band Of Horses – “Cease To Begin”, todinho Neil Young de boa safra – foi nomeada em homenagem (???) ao jogador de basquete americano Detlef Schrempf. Alguém aí entendeu?42) “Antes que eu me esqueça”
Vanguart

Me cito, para ficar mais honesto: “mas há também espaço para escolhas realmente pessoais, como vocês vão perceber”. É justamente esse caso. A Música tem deses dons perigosos de falar o exatamente que estamos sentindo, na hora que isso se dá. Aí as canções passam a ser “suas” e a única coisa a ser feita – não que seja você que faça, afinal é involuntário – é deixar o coração bater mais forte e escolher entre sorriso, lágrima, ou todas as alternativas anteriores. Para os que não são eu, “Antes que eu me esqueça” é uma belíssima balada que bebe da espaciliadade de “Subterran alien homesick” do Radiohead e da tristeza reconfortante do Dylan de “Blood On The Tracks”.

41) “You got yr. cherry bomb”
Spoon

Não se pode ensinar ensinar novos truques a macacos velhos, no entanto, se o primata for mais inteligente, um chipanzé, ele até pode aprender sozinho. Da estréia “Telephono”, pixieana como todo indie rock daquela época, até “Ga Ga Ga Ga Ga” são 12 anos de carreira construída tijolo por tijolo, sólida o suficiente para aguentar os redirecionamentos estéticos que devem fazer parte da trajetória dos que sobrevivem. Na melhor faixa do seu último disco, o Spoon esbanja maturidade na fusão perfeita entre do indie-rock-raça-pura de sempre com o pop sessentista da Motown. É o que o Maroon 5 faria se não fosse macaco-prego.

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Melhores Músicas de 2007: 60 – 51

60) “Kingdom of doom”
The Good, The Bad & The Queen

Exímio apropriador de estéticas, Damon Albarn escolheu 2007 para lançar sua visão sobre o neo-folk americano. Bem acompanhado como sempre, Albarn dá ares londrinos e pós-apocalípticos ao que tem rolado de melhor do outro lado da poça em “Kingdom of doom”, o grande momento desse novo projeto. Juntando folk anárquico do Animal Collective com o space-rock orquestral tipicamente britânico, pelo qual sua antiga banda (ou projeto?) já tinha passeado (“The universal”, “Far out”), Damon conseguiu saciar parte das expectativas que cercavam o The Good, The Bad & The Queen. É o caso de aguardar seu próximo movimento.

59) “Blush”
The Raveonettes
Para os Raveonettes, quanto mais velho, melhor. Aqui os suecos juntam uma demo perdida de alguma produção do Phil Spector (algo bem 63) com a barulheira saída do pedal estragado que Willian Reid usou no primeiro disco do Jesus And Mary Chain (lá de 85) para criar o melhor momento de “Lust Lust Lust”, seu quarto disco. O bem e velho pop, doce, ruidoso e emocionante.

58) “Myriad Harbour”
The New Pornographers

O ‘comando’ dos Pornographers pode até ser do Carl Newman, mas não dá para negar que as composições do Dan Bejar costumam ser pequenas pérolas espalhadas pelos quatro discos do grupo. Em “Challengers”, último disco dos canadenses, Bejar nos presenteou com esse pequeno épico sobre Nova Iorque, recheado daquelas investigações melódicas e harmônicas do grupo, coisa todo fã de power pop tanto adora.

57) “Protection
Liars
Depois do maluco e sensacional “Drum’s Not Dead”, a última que coisa que podia passar nas nossas cabeças era que o Liars iria fechar seu próximo álbum com uma balada sobre um amor passado. Pois é isso. A bateria repetitiva e o teclado quase espacial fazem cama para os versos encharcados de melacolia e beleza do vocalista Angus Andrew.

56) “Superstar”
Lupe Fiasco feat. Matthew Santos
“Superstar” é quase um resumo dos dois discos do rapper de Chicago. De um lado, a letra feroz discordando com o atual modelo de starsystem do hip hop americano. Do outro, um senso melódico sem igual, que é ao mesmo tempo drasticamente diferente de toda produção do gênero, mas com apelo radiofônico igual a um 50 Cent. Coisa de gênio.

55) “James Bonde”

Bonde Do Rolê

Quem pode culpá-los? O trio curitibano foi mais esperto que toda uma geração de gente ‘antenada’ e venceu na pura picaretagem. Pode até torcer o nariz, mas não negue o quanto você é estúpido de não ter pensado nisso antes. Agora, com bolsos cheios de hype e dinheiro, o Bonde Do Rolê encara a decadência como gente grande do pop – claro, fazendo um reality show! “James Bonde” é faixa mais cômica de “With Lasers”, pancadão que pode não ficar bem aqui no Brasil, mas no resto do mundo fez todo sentido. “Malandro é malandro, mané é mané”, já dizia Bezerra da Silva.
54) “Pogo”
Digitalism
Da Wikipédia: “The pogo is a dance where the dancers jump up and down, while remaining in the same location.” Pogar, na minha época, era coisa de metaleiro ou punk. Coisa de gente “do rock”. O Digitalism, dizem, é uma dupla de eletrônica alemã. Até aqui, nada de “do rock”. Só que eles tem uma música chamada “Pogo”, que é puro rock n’ roll de estádio com refrão grudento (e bateria eletrônica). Confuso? Se preocupa não, é só 2007.
53) “I got this down”
Simian Mobile Disco
O SMD pode até ter sido uma das cabeças pensantes por trás da new rave e de todo esse movimento “sem barreiras entre rock e eletrônica”, – a dupla era uma banda de rock até uns dois anos atrás – mas no seu primeiro disco cheio o que se viu foi o melhor revival do pop eletrônico raça-pura. “I got this down” é toda oitentista/noventista e deliciosa, meio New Order do “Technique”, com ecos de Depeche Mode e com vocais que são puro Underworld.
52) “Jigsaw falling into place”
Radiohead
Depois do paque-o-quanto-quiser, a expectativa sobre “In Rainbows” deixou de ser musical para descambar para o lado comercial da coisa. Mas na sombra do it’s-up-to-you, havia grandes canções. Escolhida como primeiro single do álbum, “Jigsaw falling into place” é drasticamente diferente do que se esperaria do Radiohead nesses dias (uma banda de space-rock eletrônico tocando um punk-folk com coral gótico?), mas, de novo, magnífica e desafiadora como eles vêm fazendo todo esse tempo.

51) “The year before the year 2000”
Les Savy Fav
E o mundo não acabou na virada dos anos 2000. Mas, aceite, há muito pouca coisa para se agarar nesses dias de cataclisma ecológico e guerra na porta de casa. Talvez por isso, o hedonismo seja a cara dos anos 2000. Como se a festa de 31 de dezembro de 1999 tivesse que continuar até o fim do mundo, “The year before the year 2000” é puro rock n’ roll descompromissado, cheio de energia, para se acabar na pista. So let’s party like 1999! 1999! 1999 alright!

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Antes: Melhores Músicas de 2007: 70-61
Depois: Melhores Músicas de 2007: 50-41

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Melhores Músicas de 2007: 70 – 61

70) “Now, now”
St. Vincent
Quando a Feist foi para o primeiro time do pop, os indies-recalcados chiaram. Aí acabaram preferindo Annie Clark, codinome St. Vincent, outra cantora bem-conectada (já tocou com Sufjam Stevens, Polyphonic Spree e outros) e bem-intencionada, cuja música é tão arrebatadora quanto a da canadense. A faixa de abertura de seu primeiro disco, “Marry Me”, é pedia certa pra os que já se cansaram de “1 2 3 4”.
69) “Ayo technology (she wants it)”
50 Cent feat. Justin Timberlake e Timbaland

Ok ok. Por mais que a dupla dinâmica do pop americano esteja ali no background, continua sendo 50 Cent e sexista para caralho, mas vai me dizer que não funciona? Como uma versão porn de “Cry me a river”, a música traz os synths do Timbaland como a única base, sem batidas, quase atmosféricos, até que chega o refrão com Justin soltando aquele falsete-Prince característico das suas últimas produções. E você acaba se esquecendo que aquilo é 50 Cent e o quão ele é idiota.

68) “Rise above”
Dirty Projectors
“Rise Above”, o disco, foi uma das idéias mais arriscadas de 2007 – retrabalhar um álbum clássico inteiro, no caso “Damaged” do Black Flag. Tinha tudo para dar errado (o hardcore do original transformado em freak-folk dos anos 2000), mas a faixa-título e gran finale do disco dissipa qualquer dúvida ou má impressão. Diametralmente diferente e, talvez por isso, igualmente devastadora.

67) “Fluorescent adolescent”
Arctic Monkeys
Quem diria que “Fluorescent adolescent” faria os macacos ‘estourarem’ (em termos) aqui no Brasil. Das duas uma: ou o meu porteiro é indie, ou essa é a primeira música a tocar tanto na Last FM quanto na Nativa FM. De qualquer forma, palma para eles.

66) “Elephant gun”
Beirut

Mesmo sendo bem menos do que falam dele (gênio? daqui uns 10 anos talvez…), Zach Condon tem lá seus méritos. “Elephant gun”, ponto alto do EP “Long Gisland”, concentra todos eles. Estão ali os arranjos inusitados e belos, a voz expressiva, as pinceladas de música dos balcanica e a melodia emocionada. Está no caminho certo, agora basta sobreviver ao hype.

65) “The dull flame of desire”
Björk feat. Anthony Hegarty

“Volta” foi mais interessante não pelo o que foi vendido, – um álbum pop da Björk – mas por pequenas surpresas como essa. “The dull flame of desire” é épica e emocionalmente gigantesca, mas ao mesmo tempo guarda uma fragilidade sutil, humana. A impressionante simbiose dois vocais e da orquestração parecem envolver o ouvinte, inundá-lo. Desvastadora.

64) “Suportar”
Lasciva Lula
Justo quando a banda começa a aparecer no radar, – depois de quase 10 anos de existência – o Lasciva Lula decidiu que continuar batendo cabeça contra o mercado fonográfico brasileiro não valia a pena. Mais uma triste história dos que ainda teimam ir contra os padrões estabelecidos (há uns 10 anos atrás) nessa coisa nefasta que é o pop brasileiro. “Suportar” é a faixa mais calma de “Sublime Mundo Crânio” e a essa altura soa com um belo e doloroso adeus.

63) “My moon my man”
Feist
É um clichê velho de cantora-madura querer flertar com o jazz, ou se diser influenciada por ele. Só que há mares de distância entre uma Nina Simone e, sei lá, uma Luíza Possi. Geralmente falta elegância ou criatividade. Para desespero das outras, Leslie Feist tem as duas características, de sobra. “My moon, my man” é charmosa, elegante e sexy – um jazz-pop competente por quem entende do riscado.

62) “My favorite book”
Stars

Depois dessa, a nossa amada senhora Nina Persson pode se aposentar. Nessa coisa-fofa de música, Amy Millan chega querendo tudo, sutil como se não quisesse nada, e arrabata os corações dos marmanjos, igual a sueca fazia lá nos idos de “Lovefool”. Casa, comida e roupa lavada. Topa, Amy?

61) “Atalho clichê” MP3
Terminal Guadalupe

Ainda na busca por um disco 100% (“A Marcha Dos Invisíveis” quase chegou lá), os curitibanos do Terminal Guadalupe já podem ser orgulhar de ter composto uma das melhores canções de amor-partido de 2007. Pop rock com inteligência e cantado em português, por quem ainda acredita nisso.

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Melhores Músicas de 2007: 80 – 71

80) “The world was a mess but his hair was perfect”
The Rakes
A faixa de abertura do segundo disco do Rakes parte direto daquele niilismo urbano que fez história com “Work work work (pub club sleep)”. Agora não há meias palavras e nem a felicidade junkie metropolitana do hit de 2005, só a aridez do asfalto e o amargar da vodka. A desarticulação e a tentativa frustada de se importar por quem levou isso ao topo das parada roqueiras.

79) “Cheer it on”
Tokyo Police Club
É bem fácil gostar de uma música que começa aos berros de “Operator! Get me the president of the world! This is an EMERGENCY!”. No entanto, a explosiva canção do grupo canadense é muito mais que esse berro. Sem chegar aos dois minutos, “Cheer it on” coloca os Strokes para tocar com o Sonic Youth de “Goo”, mas com uma guitarra que vem direto do shoegaze. Grande promessa para 2008.

78) “O anti-herói (pt. 1)”
Violins
Se você já acompanha a cena independente brasileira, já deve ter pelo menos ouvido falar na polêmica “Grupo de extermínio de aberrações” (um bom artigo aqui), faixa que puxou o último disco do Violins, o quase-exagerado “Tribunal Surdo”. Enquanto “Grupo” oscila entre fantasia e realidade exagerada (uma “Karma police” da Terra Brasilis) e, por isso, é soco direto no estômago, “O anti-herói (pt. 1)” é realidade pura, cotidiana, quase despercebida – e por isso ainda mais aterradora. Como o Violins já havia experimentado antes, a canção chega sorrateira, como o ladrão da letra, até explodir no refrão, como um tiro, parte pólvora, parte culpa.

77) “On call”
Kings Of Leon
Quem diria que só depois do hype o Kings Of Leon faria um álbum à altura dele? “Because Of The Times” é tudo aquilo que já foi dito sobre a banda (Strokes encontrando o rock-sulista americano), agora gravado da maneira que devia ser: equalizando espaço e nervosismo, urgência e emoção, como o em “The Joshua Tree” do U2. “On call” é a música-chave de “Because Of The Times”, pesada, atmosférica e emocionante.

76) “Nightjoy”
Kubichek!
O Kubichek! acabou ficando perdido no meio de duas ondas do pop britânico. Metade revival pós-punk, metade new rave – a mesma coisa, em outras cores – a banda foi hypa por tempo suficiente do refrão de “Nightjoy” grudar na cabeça.

75) “She can do what she wants”
Field Music

Enquanto o indie americano continua tentando entender a magia eterna de “Pet Sounds”, o Field Music está um passo além. Aqui (e em todo resto de “Tones Of Town”) a banda inglesa executa primorosamente as lições do pop sessentista, só que ecoando o indie pop e a new wave inglesa dos anos 80. Não podia dar errado, podia?

74) “The Heinrich Maneuver”
Interpol

“Our Love To Admire”, na sua adoração pelo rock mais básico, desapontou quem esperava um álbum mais arriscado e experimental do Interpol. Mesmo assim, “The Heinrich Maneuver” foi um cavalo-de-tróia que convenceu até os mais exigentes. Rock direto, refrão grudento e a letra mais intelegível que já saiu da cabeça de Paul Banks. No mais, “how are the things on the west coast?” é um dos melhores começos de música do ano.

73) “Show your hand”
Super Furry Animals

Os Beach Boys sempre foram referrência clara na música do SFA, mas em nenhum dos outros momentos da carreira dos galeses eles atingiram tal simplicidade brianwilsonana. Sem nenhuma das excentricidades costumeiras dos Furries, “Show your hand” é perfeição pop pronta para derreter seu coração.

72) “My body is a cage”
The Arcade Fire

Os ritos finais de “Neon Bible” servem como resumo da missa. Sombria, angustiada, devastadora, “My body is a cage” é construída num crescendo orquestral agoniante, sem clímax, que se encaixa perfeitamente no imaginário assombrado pelo tempo presente criado pelo Arcade Fire no seu segundo disco.

71) “Men’s needs (CSS remix)”
The Cribs
Enquanto a original mostrava só o lado masculino da guerra, esse remix do Cansei De Ser Sexy banca a revanche feminina. A crueza dá passagem a batidas oitentistas que remetem ao início da carreira da Madonna, deixando tudo mais divertido. Pelo menos nessa batalha, elas venceram.