Melhores Músicas de 2007: 80 – 71

80) “The world was a mess but his hair was perfect”
The Rakes
A faixa de abertura do segundo disco do Rakes parte direto daquele niilismo urbano que fez história com “Work work work (pub club sleep)”. Agora não há meias palavras e nem a felicidade junkie metropolitana do hit de 2005, só a aridez do asfalto e o amargar da vodka. A desarticulação e a tentativa frustada de se importar por quem levou isso ao topo das parada roqueiras.

79) “Cheer it on”
Tokyo Police Club
É bem fácil gostar de uma música que começa aos berros de “Operator! Get me the president of the world! This is an EMERGENCY!”. No entanto, a explosiva canção do grupo canadense é muito mais que esse berro. Sem chegar aos dois minutos, “Cheer it on” coloca os Strokes para tocar com o Sonic Youth de “Goo”, mas com uma guitarra que vem direto do shoegaze. Grande promessa para 2008.

78) “O anti-herói (pt. 1)”
Violins
Se você já acompanha a cena independente brasileira, já deve ter pelo menos ouvido falar na polêmica “Grupo de extermínio de aberrações” (um bom artigo aqui), faixa que puxou o último disco do Violins, o quase-exagerado “Tribunal Surdo”. Enquanto “Grupo” oscila entre fantasia e realidade exagerada (uma “Karma police” da Terra Brasilis) e, por isso, é soco direto no estômago, “O anti-herói (pt. 1)” é realidade pura, cotidiana, quase despercebida – e por isso ainda mais aterradora. Como o Violins já havia experimentado antes, a canção chega sorrateira, como o ladrão da letra, até explodir no refrão, como um tiro, parte pólvora, parte culpa.

77) “On call”
Kings Of Leon
Quem diria que só depois do hype o Kings Of Leon faria um álbum à altura dele? “Because Of The Times” é tudo aquilo que já foi dito sobre a banda (Strokes encontrando o rock-sulista americano), agora gravado da maneira que devia ser: equalizando espaço e nervosismo, urgência e emoção, como o em “The Joshua Tree” do U2. “On call” é a música-chave de “Because Of The Times”, pesada, atmosférica e emocionante.

76) “Nightjoy”
Kubichek!
O Kubichek! acabou ficando perdido no meio de duas ondas do pop britânico. Metade revival pós-punk, metade new rave – a mesma coisa, em outras cores – a banda foi hypa por tempo suficiente do refrão de “Nightjoy” grudar na cabeça.

75) “She can do what she wants”
Field Music

Enquanto o indie americano continua tentando entender a magia eterna de “Pet Sounds”, o Field Music está um passo além. Aqui (e em todo resto de “Tones Of Town”) a banda inglesa executa primorosamente as lições do pop sessentista, só que ecoando o indie pop e a new wave inglesa dos anos 80. Não podia dar errado, podia?

74) “The Heinrich Maneuver”
Interpol

“Our Love To Admire”, na sua adoração pelo rock mais básico, desapontou quem esperava um álbum mais arriscado e experimental do Interpol. Mesmo assim, “The Heinrich Maneuver” foi um cavalo-de-tróia que convenceu até os mais exigentes. Rock direto, refrão grudento e a letra mais intelegível que já saiu da cabeça de Paul Banks. No mais, “how are the things on the west coast?” é um dos melhores começos de música do ano.

73) “Show your hand”
Super Furry Animals

Os Beach Boys sempre foram referrência clara na música do SFA, mas em nenhum dos outros momentos da carreira dos galeses eles atingiram tal simplicidade brianwilsonana. Sem nenhuma das excentricidades costumeiras dos Furries, “Show your hand” é perfeição pop pronta para derreter seu coração.

72) “My body is a cage”
The Arcade Fire

Os ritos finais de “Neon Bible” servem como resumo da missa. Sombria, angustiada, devastadora, “My body is a cage” é construída num crescendo orquestral agoniante, sem clímax, que se encaixa perfeitamente no imaginário assombrado pelo tempo presente criado pelo Arcade Fire no seu segundo disco.

71) “Men’s needs (CSS remix)”
The Cribs
Enquanto a original mostrava só o lado masculino da guerra, esse remix do Cansei De Ser Sexy banca a revanche feminina. A crueza dá passagem a batidas oitentistas que remetem ao início da carreira da Madonna, deixando tudo mais divertido. Pelo menos nessa batalha, elas venceram.

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One Comment

  1. Denis Pacheco 20/01/2008 às 3:37 pm

    “Enquanto o indie americano continua tentando entender a magia eterna de Pet Sounds”

    Ai ai… rs

    Curtir

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